Desbravando os cânions do Sul: um passeio por São José dos Ausentes


Em janeiro de 2013, minha família e eu resolvemos trocar o calor – difícil de lidar – de Blumenau por ares mais frescos dos cânions do Rio Grande do Sul. Sim, esperávamos encontrar um termômetro mais agradável do que os quase 40ºC do Vale do Itajaí, mas não imaginávamos que seria preciso muitas cobertas e lareira para sobreviver àquelas noites.


Nós optamos pela cidade de São José dos Ausentes, a 431 quilômetros de Blumenau. Existem outros caminhos, você pode ir por Vacaria ou por São Joaquim. Porém, como meu pai é um super viajante pelas estradas catarinenses, achou legal irmos pela BR-101, passeando pelo nosso Litoral e conhecendo o interior de cidades como Araranguá e Timbé do Sul. Você também pode escolher outros roteiros, que ficam um pouco mais distantes, mas são mais procurados e famosos, como os cânions de Cambará do Sul e Itaimbezinho. Mas, anote essa dica: em São José dos Ausentes fica o ponto mais alto do Rio Grande do Sul, o Pico do Monte Negro, com 1.403 metros de altura. Nossa escolha não poderia ser mais acertada. 


Para uma noveleira de primeira como eu, ficamos na mesma pousada que as equipes de “O Profeta” e “A Casa das Sete Mulheres”, sucessos da Rede Globo que utilizaram aquela região que visitamos para gravar várias cenas. A pousada era bem simples, lembrava muito aquelas casas de sítio de Vó, sabe? Aconchegantes e com o cheirinho de comida caseira ultrapassando todas as paredes de madeira. 


Escolhemos essa estadia pela localização, pois assim pudemos ir até o Pico do Monte Negro caminhando. É possível chegar de carro bem próximo, pois a subida é íngreme e exige o mínimo de preparo físico, mas a vista recompensa. Impressiona o verde intocado e as fendas que parecem nunca alcançar o chão. É um passeio para quem gosta de conhecer essas obras da natureza, pois não tem nada por perto, nenhuma urbanização. Nós ficamos por dois dias, suficientes para conhecermos essa região que escolhemos. Por isso é legal estudar os locais antes, ver se há o que você procura para tornar a viagem inesquecível. 


Retornamos por São Joaquim, estrada de chão batido, bem interior, com muito verde e riachos. Fizemos esse caminho porque passaríamos uns dias na casa de amigos que moram na Serra. Mas isso já é assunto para um próximo post! J


Sabini da Silva Roncaglio é jornalista e editora da Oficina das Palavras.