Um viajante e mais de 60 países


Aos 36 anos, o oceanógrafo Cassiano Cruz tem um passaporte recheado. Mais de 60 países foram visitados por ele, que começou esta trajetória ainda como atleta de bodyboard, depois pela carreira de DJ e agora como oceanógrafo e fotógrafo que não abre mão de um bom clique em lugares longínquos, diferentes, totalmente fora da nossa realidade. Ao Jornal Página 3, de Balneário Camboriú, ele concedeu esta entrevista. O Passaporte Oficina apresenta os melhores momentos.


Acho que meus sintomas de dromomania (impulso incontrolável de vagar/viajar) nasceram comigo e foram se intensificando ao longo dos anos. Embora eu tenha vindo de família humilde, desde a infância adquirir experiências viajando foi mais importante do que a necessidade de consumir bens materiais. Eu ansiava por caronas de familiares e amigos da vizinhança para fugir da rotina. Ao longo dos anos, com a melhora das condições financeiras tive a oportunidade de conhecer muitos lugares.

Já visitei aproximadamente 60 países, sendo a maioria para destinos não muito tradicionais. Seja da Ilha de Páscoa à Mongólia, do Paquistão ao Timor Leste ou da Tanzânia ao Butão, minha preferência sempre foi explorar lugares místicos, exóticos ou espiritualmente transformadores.


Busco passar por experiências que contribuam no meu enriquecimento cultural e espiritual.
Recentemente, passei alguns dias acampado com famílias nômades no interior da Mongólia bem como nas montanhas do Quirguistão, em lugares inóspitos. Foi incrível! Tem detalhes de viagens que só conto pra família ao chegar em casa, como foi o caso da minha ida a um festival tribal de três dias no noroeste do Paquistão, numa região próxima a territórios da Talibã.

Num contexto geral, me surpreende muito a obstinação das antigas civilizações. Muitas delas foram capazes de prosperar diante severas condições de vida e ainda assim construir estruturas arquitetônicas incríveis sem os recursos tecnológicos atuais. Além das referências mais clássicas que visitei como o sítio arqueológico de Machu Picchu (Peru), e as pirâmides do Egito e do México, também fiquei maravilhado com as ruínas de Pasárgadas, no Irã, o templo de Angkor Wat, no Camboja, a cidade de Petra, na Jordânia, o sítio de Stonehenge, no Reino Unido, além dos moais da Ilha de Páscoa.


Felizmente nunca passei por grandes apuros. Mas, certa vez, nas proximidades do Salar Uyuni, um deserto de sal situado numa região montanhosa da Bolívia, passei o mal de altitude. Em menos de 24 horas eu saí do nível do mar e fui para os quase quatro mil metros de altitude daquele local, quando o ideal seria me aclimatar aos poucos em altitudes inferiores. Fiquei quase três dias de cama sofrendo com dor de cabeça, enjoo e alucinações por falta de ar. Outra vez, visitei o Quênia alguns meses após o atentado terrorista em um shopping de Nairóbi onde morreram quase 70 pessoas. A energia do lugar ainda estava bem esquisita e senti que devia partir para o sul, à Tanzânia.

Fotos: Cassiano Cruz