Hospedarias em Santa Catarina

Acredito que para um bom viajante o tema não é novidade. Ficar hospedado em casas onde há morador é algo super comum ao redor do mundo, tanto que gerou negócios bem lucrativos e interessantes como o Airbnb. Mas, sejamos francos, isso ainda não é muito a nossa realidade. É algo que causa um certo desconforto naqueles que pouco desbravaram o mundo e, com cidades cada vez mais violentas, o pior sempre vem em primeiro lugar quando pensamos nessa forma de hospedagem.

Pois bem que, em junho de 2011, juntamente com um casal de amigos, meu marido e eu resolvemos conhecer Treze Tílias, no Oeste Catarinense. Nossa ideia era passear por alguma vinícola (visitamos a Panceri, em Tangará) e fazer uma viagem curta diferente, por uma região catarinense que nunca tínhamos estado. A escolha foi certeira. Treze Tílias é pequena, mas uma graça. Colonizada por imigrantes austríacos, é conhecida como “O Tirol Brasileiro” e seus moradores mantêm, orgulhosos, as características arquitetônicas e gastronômicas dos antepassados.


Mas hoje quero falar de outra característica dos austríacos que chamou muito a nossa atenção: a hospitalidade. Enquanto procurávamos hospedagem para o fim de semana que ficaríamos por lá, nos deparamos com as Gastehauser, ou seja, casas de famílias abertas para receber visitantes e mais conhecidas como hospedarias. Achamos muito interessante e bem mais em conta, então, resolvemos apostar no diferente. E a experiência foi demais!

 A casa em que ficamos hospedados era muito bem cuidada e o espaço reservado aos turistas fica próximo à garagem, o que permite a entrada e saída em qualquer horário, sem incomodar os moradores. O local era muito maior que os quartos de hotéis que estamos acostumados, com uma ampla sala com sofá-cama e mesa de jantar, cozinha, banheiro e um quarto. O café da manhã estava incluso e, assim que chegamos, já fomos questionados sobre o horário que iríamos acordar. Nos dois dias que ficamos por lá, fomos acordados com um baita café da manhã com produtos típicos, incluído leite e derivados de uma das principais indústrias catarinenses (a Tirol), cuja sede é em Treze Tílias. 


Conto tudo isso para mostrar que, com boa vontade e parcerias público-privadas, o turismo é uma grande oportunidade para o desenvolvimento econômico das nossas pequenas cidades que respiram tradições antigas e vindas de outros países. Esse esquema das hospedarias hoje deve estar muito mais evoluído do que quando fomos, há cinco anos. Mas já naquela época, conseguíamos perceber o esforço em fazer dar certo.

 O fim de semana que passamos por lá era de feriado (Corpus Christi), quando eles organizam uma Semana de Manifestações Artesanais e Culturais. Fomos avisados e, inclusive convidados a participar, assim que fizemos nosso “check-in”. Como a cidade é pequena, tem poucas atrações à noite e havíamos passado horas na estrada, resolvemos conhecer. O evento era na Secretaria de Turismo e, lá, ficava ainda mais evidente essa parceria dos moradores com a Prefeitura para o crescimento turístico. Um painel luminoso mostrava todos os hotéis e indicava se estavam ocupados (luz vermelha) ou com vagas (luz verde). Ao lado, havia os contatos das hospedarias e uma luz vermelha estava acesa, a que estava nos hospedando. E, certamente hoje, com essa cultura de hospedagem crescendo, muitas outras devem ficar acesas.


No site www.trezetilias.com.br você fica por dentro dos pontos turísticos, vale conhecer a Cervejaria Bierbaum, e um calendário com todos os eventos que eles fazem. Ah, neste site, você pode escolher pelo hotel ou pela Gastehauser (casa de família) que preferir.

 Sabini Roncaglio é jornalista e editora na Oficina das Palavras