Blumenauense conta experiência de um ano em Portugal


Anna Olga Alcântara Vianna, 24 anos, formada em Publicidade e Propaganda na FURB

Em junho de 2011, tomei uma decisão: iria fazer intercâmbio. Sabia que enfrentaria obstáculos no percurso, mas decidi encarar e mudar de rotina, totalmente. A primeira preocupação é a parte financeira, que você não sabe se seus pais irão conseguir te bancar. Depois, como ingressar em uma faculdade de outro país e, por fim, vem o pensamento: será que estou preparada? Será que vou conseguir ficar um ano sem ver meus pais? Depois de muitas conversas, meus pais acharam uma boa ideia.

Onde eu me formei, a Furb, há um programa de intercâmbio muito bom. Claro, você banca tudo, menos a faculdade, mas ganha um ótimo auxílio. Decidi ir para Portugal porque não tenho fluência em inglês ou outra língua estrangeira, então, seria mais fácil assistir às aulas em português. Comecei a fazer os trâmites burocráticos, como passaporte, aceitação da universidade, visto, passagem. Tem muita coisa para ser feita. Demorei mais ou menos seis meses para me programar e, enfim, viajar. Vi que realmente era meu momento, pois ainda estava na metade da faculdade e seria mais fácil fazer as matérias do curso nesse período.


Tudo certo, passaporte na mão, malas prontas! Fui com certo aperto no coração, porque sabia que não estava sendo nada fácil para os meus pais, já que para mim também estava difícil. Mas eu tinha um primo que morava na cidade que escolhi ficar – Braga, no Norte de Portugal, linda e aconchegante. A presença de um familiar me ajudou muito, tudo isso facilitou a adaptação, que ainda assim trouxe algumas situações inesperadas.

Chegando lá, fiquei uma semana me adaptando antes de ir à Universidade. O primeiro passo foi conversar com a coordenadora do curso e, neste momento, tive uma dificuldade. Ela foi super ríspida comigo, como é o jeito português, mas eu ainda não estava acostumada. Então, cheguei em casa com vontade de voltar ao Brasil e só chorava. Logo passou, planejei minha grade de matérias e comecei a frequentar as aulas. As primeiras que você assiste com a Língua Portuguesa de Portugal você não entende NA-DA. Demorei praticamente um mês pra entender o que eles diziam e o pessoal que mora nos Açores ou na Madeira, não consigo compreender até hoje. Como são mais fechados, era bem complicado encontrar pessoas pra fazer os trabalho de aula, mas com o tempo, mesmo eles não gostando muito de aproximação, passei a interagir mais.



Após seis meses de intercâmbio, eu só havia feito uma viagem nas férias escolares, para Paris. Viajar entre os países de lá é muito fácil e barato. Existem empresas aéreas como Lowcost, que fazem um preço muito acessível. Cheguei a pagar € 30 ida e volta de Portugal para Madrid. Mas aqui vale uma dica: quando se está fora do Brasil, o melhor que se tem a fazer é não converter nada para reais, converti apenas nas duas primeiras semanas, senão você não aproveita nada.

Nas matérias que fiz no primeiro semestre – aqui surge mais uma diferença, porque em Portugal, os seis primeiros meses do ano são, na verdade, o segundo semestre –, tive êxito em todas. Estava focada e estudava um pouco a mais, afinal, não poderia ficar um ano fora e fazer todas as matérias em vão. Eu saía um pouco, para conhecer os atrativos, como a Queima das Fitas, realizada em maio. É praticamente uma semana de festa, onde ficamos sem aula.


No segundo semestre, decidi aproveitar um pouco mais meu intercâmbio e fazer viagens com o pessoal da Universidade. Fiz amizade com muitos brasileiros que estavam chegando. Nos encontrávamos, pelo menos, três vezes por semana, principalmente as quartas-feiras, dia em que os universitários mais se reúnem a noite. Saíamos para jantar, conversar e só depois seguíamos para alguma “balada”, que começam por volta das 2h30min.             

No fim do ano, alguns amigos e parentes resolveram me visitar e passar uns dias por lá. Acabamos nos reunindo e fazendo uma Eurotrip. Fomos para Paris, Pisa, Florença, Roma, Veneza, Berlim e Londres. Sempre dormindo em albergues e comendo sanduíches para economizar. Foi tudo maravilhoso.


No início de fevereiro de 2013, voltei para o Brasil. Trouxe muita coisa daquele país comigo, principalmente a vontade de voltar para morar. Nos primeiros dias, me senti completamente deslocada, sendo que estava de volta ao meu país. Contudo, com o passar do tempo, tudo voltou ao normal. Mesmo assim, eu não pensaria duas vezes se pudesse fazer outro intercâmbio. É maravilhoso conhecer outra cultura e outros lugares. Esse é resumo da minha experiência e espero que a sua seja ainda melhor!


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