Jornalista com dupla nacionalidade conta como conseguiu passaporte italiano



Por Helen Francine, jornalista

Foi em Londres que percebi a importância da dupla nacionalidade. Voltei para o Brasil em 2011, após três anos de estudos e trabalho na capital inglesa. Comecei a conversar com parentes sobre quem havia nascido na Itália. Contei com a ajuda da prima Kelly Marin que já havia obtido o reconhecimento de dupla cidadania dela.

Durante meses entrei em contato com vários cartórios e obtive as certidões de nascimento, casamento e óbito que comprovavam a minha ascendência. Depois de todos os documentos reunidos, chegou a vez de encontrar um tradutor juramentado e conseguir horário no Consulado Italiano, em Curitiba, para reconhecimento da documentação.

Só depois de todas essas etapas é que pude escolher entre dar continuidade ao processo aqui no Brasil (cuja fila de espera leva entre oito e 10 anos), ou mudar para a Itália e fazer o pedido de reconhecimento lá. Por questão de tempo optei pelo caminho europeu.
Contei com a assessoria da Due Cuori, que cuidou de toda a parte burocrática e acomodação. Em menos de 60 dias eu obtive o sonhado passaporte europeu. Permaneci mais tempo por lá para concluir uma série de reportagens.


Mudanças à vista para agilizar o processo no Brasil

A história de Helen Francine é um exemplo da agilidade no exterior e demora aqui no Brasil. Entretanto, a partir de agosto, esta dificuldade em território brasileiro deve ganhar novos contornos. O Brasil é signatário da Apostila da Convenção de Haia desde 1961, o que garantiria o reconhecimento dos documentos automaticamente aos países integrantes do tratado. O problema é que o processo estava engavetado e só foi aprovado no Senado Federal no ano passado.

As mudanças, publicadas no Diário Oficial da União em fevereiro, começarão a valer no dia 14 de agosto deste ano. Segundo a equipe do site Nômades Digitais, atualmente, todos os documentos para obtenção da cidadania italiana e dos outros 100 países que fazem parte do tratado precisam ser validados e legalizados em representações diplomáticas estrangeiras. Assim que a medida começar a valer, isso não será mais necessário, pois o Brasil poderá emitir uma apostila única que comprova a autenticidade dos documentos em qualquer um dos países signatários. Na prática, isso deve agilizar o processo de quem está em busca da dupla cidadania ou pretende estudar nos países que fazem parte do tratado.